Kickidler entra no radar da Forbes e ganha destaque no Brasil →

Fraude de jornada no trabalho: como ela acontece, por que custa caro e de que forma perceber os sinais

Fraude de jornada no trabalho: como ela acontece, por que custa caro e de que forma perceber os sinais

Ao longo deste artigo, a proposta é analisar em profundidade o que caracteriza a fraude de jornada, como ocorrem as formas mais comuns de apropriação indevida do tempo de trabalho e quais sinais ajudam a revelar irregularidades no controle de horas.

Toda empresa sólida depende de vários elementos para crescer, mas poucos são tão importantes quanto contar com um time em que se pode confiar. Quando os profissionais cumprem as regras internas e levam a rotina de trabalho a sério, a gestão consegue concentrar energia em outras frentes importantes para a expansão do negócio. 

Sempre que o tema é roubo no ambiente corporativo, muita gente pensa logo em desvio de dinheiro, sumiço de equipamentos caros ou uso indevido de informações e ativos intelectuais. Esses riscos existem, sem dúvida. Só que há um tipo de perda muito comum que costuma receber menos atenção do que deveria: o furto de tempo. Esse problema aparece em praticamente todos os segmentos e pode assumir várias formas, indo de práticas tratadas como “deslizes menores” até situações que ultrapassam claramente os limites da legalidade.

Quando a empresa não combate esse tipo de conduta, os efeitos começam a se espalhar. A folha de pagamento perde precisão, o engajamento da equipe cai e a produtividade sofre. Com o tempo, outros impactos também entram em cena, como maior rotatividade de funcionários, exposição a falhas de conformidade e enfraquecimento da relação de confiança entre empregados e organização.

Como esse tipo de fraude nem sempre é fácil de enxergar sem ferramentas adequadas de acompanhamento da atividade professional, e como ela pode prejudicar seriamente a folha, o desempenho da operação e o cumprimento de exigências internas e externas, entender o tema se torna essencial. Isso inclui saber exatamente do que se trata, de que formas ele aparece em empresas de perfis diferentes e o que pode acontecer quando a liderança deixa o problema avançar sem resposta. Neste artigo, vamos detalhar o que é o furto de tempo, mostrar como ele afeta os negócios e apresentar maneiras práticas de identificar e prevenir esse tipo de fraude.

O que caracteriza a fraude de jornada?

A fraude de jornada ocorre quando o colaborador registra ou recebe como trabalhadas horas que, na prática, foram usadas em atividades que não fazem parte de suas obrigações profissionais. Em muitos casos, isso começa como uma atitude individual e pontual, mas pode crescer silenciosamente e virar um problema estrutural se a empresa não tomar providências logo.

De acordo com um levantamento publicado pela Business.com em 2025, quase 25% dos trabalhadores dos Estados Unidos dizem exagerar ou alterar a quantidade de horas que informam como trabalhadas. Entre essas pessoas, a média chega a 4,5 horas por semana de tempo lançado de forma indevida.

Esse tipo de fraude pode assumir formas muito diferentes, desde práticas que parecem pequenas à primeira vista até condutas que chegam perto de ultrapassar limites legais. Seja qual for a forma, o impacto para a empresa vai muito além da folha de pagamento. O problema pode abalar o caixa, comprometer relações de confiança, enfraquecer o clima interno, reduzir a produtividade, gerar falhas de conformidade e ainda abrir espaço para consequências jurídicas.

Veja abaixo alguns dos efeitos mais sérios que a fraude de jornada pode provocar em uma organização:

  • Prejuízo financeiro direto. Quando horas não trabalhadas são pagas como se fossem legítimas, a empresa perde dinheiro. E não é preciso uma fraude enorme para isso acontecer. Pequenos desvios repetidos ao longo do tempo podem representar valores expressivos por funcionário ao final do ano. Minutos aparentemente insignificantes, quando acumulados, acabam pesando no lucro e no desempenho financeiro do negócio.
  • Impacto na produtividade. Toda hora de trabalho perdida reduz a capacidade real de entrega da empresa. Mas os danos não aparecem só em indicadores óbvios, como atrasos e metas não cumpridas. Muitas vezes, quem trabalha corretamente precisa absorver o que ficou para trás, carregando uma sobrecarga extra. Esse desequilíbrio afeta tanto o resultado imediato quanto a capacidade de manter um bom nível de produção de forma contínua.
  • Enfraquecimento do moral da equipe e da cultura interna. Quando a fraude acontece e nada é feito, os profissionais que seguem as regras percebem. Isso pode gerar frustração com a liderança, sensação de injustiça e perda de confiança na gestão. Com o tempo, a tolerância a esse comportamento se espalha e cria um ambiente em que a ideia de impunidade passa a parecer normal, estimulando ainda mais esse tipo de conduta.
  • Problemas legais e de conformidade. A fraude de jornada também expõe a empresa a riscos regulatórios relevantes. Isso inclui possíveis violações da Fair Labor Standards Act (FLSA), descumprimento de legislações trabalhistas estaduais e necessidade de ajustes por pagamentos registrados de maneira incorreta.

Também é importante lembrar que a responsabilidade não recai apenas sobre a empresa. Quando há intenção deliberada, o funcionário também pode enfrentar implicações legais, especialmente em casos de fraude salarial ou ações combinadas com outras pessoas. Já no âmbito interno, as medidas adotadas dependem das regras da organização: algumas empresas aplicam advertências, enquanto outras podem recorrer a desconto de pagamento ou até desligamento nos casos mais claros e persistentes.

Práticas frequentes de fraude de jornada

Não dá para controlar, nem seria razoável querer, que uma pessoa dedique absolutamente cada segundo do expediente a atividades produtivas do trabalho. A rotina real não funciona assim: surgem distrações, aparecem interrupções e o ritmo de energia muda ao longo do dia.

O problema começa quando aquilo que seria uma oscilação normal da rotina passa a virar um comportamento recorrente e prejudicial. Nesse ponto, a empresa acaba pagando a conta. O furto de tempo pode ocorrer de várias maneiras, algumas fáceis de notar, outras bem mais discretas. Esse cenário fica ainda mais complexo em empresas com equipes híbridas ou compostas por diferentes formatos de contratação, já que as regras de registro de jornada podem variar bastante, especialmente em casos de trabalho remoto.

Por isso, a liderança precisa ficar atenta a alguns padrões clássicos de fraude de jornada.

Buddy punching e registro artificial de horas

O chamado buddy punching acontece quando um funcionário marca o ponto para outro colega que, naquele momento, não está realmente presente. Isso pode ocorrer em casos de atraso, saída antes do horário ou até quando a pessoa falta ao turno inteiro. Na prática, esse comportamento distorce o controle de presença, gera pagamento indevido e ainda pode trazer dores de cabeça relacionadas ao cumprimento da legislação trabalhista.

Outra prática comum é a manipulação do horário registrado. Isso acontece quando o funcionário informa um período de trabalho diferente do que de fato cumpriu. Em certos casos, a justificativa pode parecer inofensiva, como arredondar os horários para facilitar o fechamento da folha. Mesmo assim, pequenos acréscimos diários, repetidos por semanas, podem se transformar em um desvio relevante ao final do mês.

Também existem situações em que a fraude é claramente intencional. Alguns colaboradores combinam com colegas para que alguém bata o ponto em seu lugar de forma recorrente. Outros alteram a versão dos fatos e afirmam ter registrado o ponto em um horário diferente do real. Há ainda uma conduta especialmente difícil de detectar: marcar a entrada antes de realmente começar a trabalhar. 

Quando a empresa não conta com sistemas automatizados de controle de jornada, esse tipo de problema se torna ainda mais provável. Em dias corridos, muita gente simplesmente não se lembra com precisão do horário em que entrou ou saiu. Como consequência, os apontamentos acabam sendo preenchidos depois com base em estimativas, o que pode inflar as horas lançadas e resultar em pagamento por períodos que nunca foram efetivamente trabalhados.

Horas extras indevidas e registros de trabalho inexistentes

Quando um colaborador estende a jornada por conta própria, sem autorização da empresa, já contando que essas horas serão pagas como extras, isso também entra na categoria de furto de tempo. 

Há ainda uma forma mais séria desse problema: os chamados turnos fantasma. Nesse cenário, o funcionário consta como presente e com o ponto ativo, muitas vezes por meio de buddy punching ou algum tipo de acesso remoto, embora não esteja, de fato, no local de trabalho. Em situações mais graves, pode haver até lançamento de horas em nome de um “funcionário fantasma”, criado informalmente para beneficiar alguém em acordos de favor ou troca de turno. Quando isso acontece, a prática deixa de ser apenas uma irregularidade operacional e passa a caracterizar fraude interna de forma explícita.

Esse tipo de registro fictício nem sempre surge apenas por ação individual direta. Ele também pode ser favorecido por falhas na estrutura da empresa, como sistemas que não conversam entre si, por exemplo, quando a ferramenta de escalas funciona separadamente do sistema de ponto, ou por uma supervisão desorganizada, especialmente em equipes com profissionais de campo ou em funções remotas que encontram brechas para manipular os registros.

Baixo rendimento no trabalho remoto

O trabalho remoto trouxe ganhos importantes para muitos profissionais, principalmente em termos de flexibilidade e equilíbrio entre rotina pessoal e atividade profissional. Ao mesmo tempo, esse modelo também ampliou as oportunidades para o furto de tempo. Sem acompanhamento presencial e fora da dinâmica de um escritório convencional, avaliar com clareza o nível real de produtividade e eficiência pode se tornar bem mais difícil.

No contexto remoto, a ociosidade pode aparecer de maneiras menos óbvias Um exemplo é o funcionário que mantém ferramentas de trabalho abertas ou permanece online apenas para parecer ativo, mesmo estando afastado das atividades. Outro caso é o de quem atrasa de propósito a execução de tarefas para fazer parecer que determinada demanda exigiu mais tempo do que realmente precisava.

Fraude de jornada pode gerar consequências legais?

Na maioria dos casos, o furto de tempo não aparece como crime na esfera federal dos Estados Unidos, embora continue sendo uma prática fraudulenta e, em termos práticos, envolva a obtenção indevida de pagamento. Mesmo assim, a resposta a esse tipo de comportamento costuma depender da forma como cada empresa escolhe conduzir a situação.

Isso acontece porque as regras internas, os contratos firmados com os funcionários e as políticas corporativas podem enquadrar a fraude de jornada como descumprimento das obrigações assumidas no vínculo de trabalho. Quando isso ocorre, a empresa pode aplicar sanções disciplinares, encerrar o contrato de trabalho e, em determinadas circunstâncias, até partir para medidas judiciais.

Ao mesmo tempo, existe um limite importante para o empregador. Pela Fair Labor Standards Act (FLSA), o pagamento pelo tempo trabalhado é uma obrigação legal. Em outras palavras, a empresa não pode simplesmente segurar ou deixar de pagar salários com base apenas na suspeita de que houve furto de tempo. 

De forma geral, comprovar esse tipo de fraude sem apoio de tecnologia pode ser bastante complicado. Ainda assim, a dificuldade de demonstrar a irregularidade não é motivo para tratar o problema como algo sem importância ou deixar a situação correr sem controle.

Como identificar e evitar a fraude de jornada

Detectar o furto de tempo nem sempre é simples, mas prevenir esse tipo de prática é totalmente possível quando a empresa conta com os recursos adequados. 

A saída mais eficaz não está em aumentar a pressão por meio de microgerenciamento, já que esse tipo de abordagem costuma desgastar a equipe e produzir o efeito oposto ao esperado. Em vez disso, ferramentas de monitoramento de funcionários, como o KeepActive, podem ajudar a empresa a elevar a qualidade da gestão de pessoas e do controle de tempo, ampliar a visibilidade sobre o que acontece na operação e tornar a administração da equipe mais estratégica e eficiente, ao mesmo tempo em que reduz as brechas para o furto de tempo.

Com a evolução das tecnologias voltadas à gestão da força de trabalho, já não faz sentido depender apenas de acompanhamento manual ou de vigilância constante no relógio de ponto. Agora que já está claro como esse tipo de fraude costuma acontecer e o tamanho do prejuízo que ela pode causar, o próximo passo é conhecer ferramentas capazes de localizar indícios, reunir evidências e conter a fraude de jornada antes que ela cresça e passe a afetar ainda mais a empresa.

Uso de software de monitoramento e auditorias internas

Vale a pena contar com plataformas de gestão de equipes que permitam criar alertas automáticos sempre que um apontamento de horas fugir do padrão esperado. Com esse tipo de recurso, a empresa consegue investigar rapidamente registros suspeitos e conter possíveis fraudes de jornada antes que elas prejudiquem os resultados financeiros ou tragam complicações de conformidade.

Mas a automação, por si só, não resolve tudo. Para que o controle funcione de verdade, é essencial revisar periodicamente os registros de jornada e a folha de pagamento por meio de auditorias internas. Isso reduz a chance de falhas passarem despercebidas e ajuda a empresa a encontrar irregularidades com antecedência. No fim das contas, descobrir o problema dentro de casa é muito menos arriscado do que ser surpreendido por ele em uma auditoria externa.

Fortalecimento dos controles internos

Uma das bases mais importantes para prevenir o furto de tempo é definir regras claras sobre o que a empresa considera uma conduta aceitável no trabalho e quais sanções podem ser aplicadas em caso de violação. Isso inclui formalizar, nas políticas internas, a proibição de práticas como buddy punching e registros falsos de jornada, deixando bem especificadas as consequências para quem recorrer a esse tipo de comportamento. Também é fundamental estabelecer orientações objetivas sobre o uso apropriado de computador, celular e internet durante o horário de trabalho.

Outro ponto importante é o uso de relatórios que ajudem a enxergar padrões incomuns ou desvios nas horas lançadas pelos colaboradores. Quando os registros de jornada são mais confiáveis, a empresa reduz falhas na folha de pagamento e diminui riscos ligados à conformidade, evitando tanto pagamentos abaixo do devido quanto valores pagos a mais.

Como a supervisão proativa reduz o risco de fraude com detecção de anomalias

Ferramentas modernas de controle de jornada também podem incluir recursos de análise preditiva, capazes de examinar o histórico de marcações para encontrar comportamentos fora do padrão nos lançamentos de horas da equipe. A partir de dados anteriores, o sistema projeta como os registros futuros tendem a se comportar e destaca discrepâncias importantes, que depois podem ser verificadas para determinar se houve erro ou fraude.

Esses recursos não servem apenas para apontar possíveis casos de furto de tempo. A análise preditiva e a detecção de anomalias também ajudam a localizar gargalos, expor ineficiências nos processos e mostrar com mais clareza como o tempo de trabalho está sendo realmente utilizado pelos funcionários no dia a dia.

Author photo.
Rafael Moreira

Rafael Moreira é redator do blog da Kickidler, especializado em rastreamento de tempo, produtividade e análise de desempenho de equipes.

Software de monitoramento de funcionários Kickidler.

Outros recursos da KeepActive

Aqui estão mais alguns posts interessantes: